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Escolhas sustentáveis a partir da Avaliação do Ciclo de Vida

A recente descoberta de problemas ambientais associados a produtos e serviços tem despertado o interesse em alternativas sustentáveis. Muito se fala a respeito de biocombustíveis, biofertilizantes, sacolas biodegradáveis, embalagens retornáveis, materiais para a construção civil e diversos outros itens que se encaixam em todas as áreas de consumo, mas qual será o real impacto desses produtos no meio ambiente? Eles são mesmo “sustentáveis”?

As novas possibilidades trazem consigo um questionamento: como avaliar se estas opções realmente causam menos impactos ambientais que as já tradicionalmente utilizadas? A resposta para tal questão pode ser obtida a partir da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

A ACV é uma técnica que permite avaliar impactos ambientais de produtos e serviços durante todo o seu ciclo de vida. O ciclo de vida de um produto engloba a extração das matérias-primas, a manufatura, a distribuição, o uso e a disposição final.

De acordo com a norma ABNT NBR ISO 14040:2009 a ACV pode auxiliar na identificação de oportunidades de desempenho ambiental dos produtos em diferentes pontos do seu ciclo de vida. Além disso, a tomada de decisões é facilitada, visando o planejamento estratégico, a definição de prioridades ou o reprojeto de produtos e serviços.

Em 2011, a Braskem apresentou um estudo comparativo sobre o uso de diferentes tipos de sacolas para transporte de compras de supermercado, incluindo os impactos econômicos e ambientais de cada alternativa. A ACV foi realizada para algumas opções de sacolas, entre elas as descartáveis (de polietileno tradicional, de polietileno de cana-de-açúcar e as aditivadas com promotor de oxibiodegradação) e as retornáveis (papel, ráfia, tecido e TNT).

Cenários diferentes foram analisados, como o volume de compras, a frequência de idas ao supermercado, a frequência de descarte do lixo, a matéria-prima de cada sacola, a capacidade de carga, o custo, o número de vezes em que é utilizada, a reutilização como saco de lixo e o envio para reciclagem.

O estudo revelou que as sacolas descartáveis de plástico apresentaram melhor ecoeficiência para situações em que há um menor volume de compras, maior frequência de ida ao supermercado e uma maior frequência de descarte de lixo, o que garante a reutilização das sacolas plásticas. Já as sacolas retornáveis de tecido ou de plástico apresentaram melhor ecoeficiência nas situações em que há maior volume de compras, menor frequência de ida ao supermercado e menor frequência de descarte de lixo, o que faz com que poucos sacos sejam utilizados no armazenamento dos resíduos.

Juntamente com a Braskem, outras empresas como Danone, Embraer, GE, Grupo Boticário, Natura, Odebrecht, Oxiteno e Tetra Pak, tomaram a iniciativa de lançar oficialmente a Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida em parceria com o Instituto Akatu e a Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV). Trata-se de uma maneira de disseminar os estudos em ACV e, até mesmo, contribuir para a construção de um banco de dados nacional.

É notável, portanto, que a Avaliação do Ciclo de Vida é uma importante técnica para assegurar as tomadas de decisões no que diz respeito à sustentabilidade. E, embora ainda seja desconhecida por grande parte da população, se enquadra nas questões diárias da sociedade, permitindo, por exemplo, afirmar que nem sempre a sacola retornável é a melhor opção. Em virtude da complexidade das questões ambientais, fica, então, a sugestão de pensar no ciclo de vida dos produtos antes de aceitar as soluções que parecem ser ideais.

Giovanna Chiumento é Engenheira Química, Mestranda em Engenheira Mecânica e Pesquisadora na área de Análise de Ciclo de Vida na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Contato: giovannachiumento@hotmail.com

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Bruno Sanches
Bruno Sanches

Gostei deste artigo. E, é sim muito importante, o ACV nos dias de hoje, para avaliar se aquele produto é realmente sustentável.

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