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Poluentes emergentes: Os “novos” contaminantes ambientais

Atualmente 60 milhões de substâncias químicas são conhecidas e registradas formalmente, sendo que só nos Estados Unidos são registradas de 1200 a 1500 novas substâncias por ano. Em grande escala são produzidos aproximadamente 3000 compostos que correspondem a algo em torno de 500 toneladas. Desses, menos de 45% foram submetidos a algum tipo de teste ecotoxicológico e nem 10% foram testados considerando efeitos em organismos em desenvolvimento. Muitos desses produtos químicos quando atingem o meio ambiente são denominados poluentes emergentes. Os poluentes emergentes são os novos contaminantes ambientais, especialmente dos corpos hídricos e estão presentes no nosso dia-a-dia, desde os remédios e os produtos de higiene que consumimos diariamente até os pesticidas usados nas lavouras. O maior problema é que quando entram em contato com os seres vivos podem ter ação no sistema endócrino, ou seja, alteram toda a resposta hormonal do corpo, e por isso são também conhecidos como interferentes endócrinos.

Um exemplo de contaminação pelos emergentes foi o do crocodilo do lago Apopka, na Flórida (EUA), na década de 80. Cientistas perceberam qua a população desses animais estava sendo reduzida a cada ano e relacionaram esse problema com a exposição contínua a pesticidas que eram usados na região. Os pesticidas, mesmo em baixas concentrações, agem nos ovos dos crocodilos e afetam seu sistema reprodutor, tornando-os inférteis.

Outro exemplo notório aconteceu na década de 90, na qual pesquisadores americanos começaram a notar que em regiões dos Estados Unidos com grande influência da urbanização havia um desequilíbrio de machos e fêmeas em algumas espécies de peixes. A esse problema foi relacionada a presença dos interferentes endócrinos, como os hormônios sexuais femininos, que eram lançados através dos esgotos na região. Os hormônios agiam nos peixes machos tornando-os assexuados e em alguns casos fazendo com que eles começassem a ovular.

Com o avanço das pesquisas, os poluentes emergentes têm sido encontrados nos rios do mundo inteiro e não muito distante dessa realidade, nos rios brasileiros as concentrações são significativas. Pesquisas realizadas em diversas cidades brasileiras mostram a presença dos contaminantes em concentrações que vão de nanograma à micrograma por litro. Essas concentrações podem ser consideradas baixas, mas temos que lembrar que mesmo em baixas concentrações esses compostos podem ser muito danosos, pois se acumulam nos seres vivos e podem apresentar efeito crônico e até agudo.

Toda essa situação está relacionada à degradação dos nossos rios. Vale ressaltar que a má disposição dos resíduos sólidos, a ineficiência das Estações de Tratamento de Esgotos e o lançamento de esgoto in natura nos rios são os fatores que mais contribuem para a entrada dos poluentes emergentes no meio ambiente. Porém o coadjuvante dessa contaminação é o nosso modo vida, cada vez mais consumista de produtos industrializados. Não podemos esquecer que a presença dos emergentes no meio ambiente não é de hoje, começou com a primeira substância química produzida e consumida por nós, contudo só agora conseguimos “descobri-las” no meio ambiente.

A contaminação já está presente, mas a legislação ainda não contempla essa nova problemática. É importante destacar que dos 60 milhões de compostos conhecidos apenas 300 mil são regulados por alguma agência de cunho federal ou estatal no mundo. Mas nós ainda estamos muito atrás, pois antes de legislar qualquer composto, temos que garantir o saneamento básico para a população, quem sabe assim poderemos dar o primeiro passo para mitigar o impacto dos poluentes emergentes.

Rafael Duarte Kramer é Tecnólogo em Processos Ambientais, com Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Atualmente é doutorando em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental na Universidade Federal do Paraná e Pesquisador na área de Contaminação dos Recursos Hídricos.

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