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Um olhar sobre a energia renovável no Brasil e no mundo

Sempre fui apaixonada por natureza, e por causa desta paixão, escolhi a Engenharia Ambiental como minha profissão. Durante a faculdade, sonhava em descobrir o mundo com meus próprios olhos, conhecer soluções ambientais de outros países, vivenciar culturas e estilos de vida diferentes e desmistificar muitos de nossos preconceitos sobre o mundo que nos rodeia. Assim, após minha graduação, iniciei um mestrado em Bioenergia pela UFPR, considerando minha vontade de continuar minha vida profissional na área ambiental voltado para pesquisa e inovação. Durante meu mestrado um universo de oportunidades e soluções se abriu em meu caminho, onde eu decidi buscar por uma experiência com novos desafios pessoais, profissionais, e principalmente de vida.

Pensando nestes desafios, em 2012 fui convidada para trabalhar como consultora em energia sustentável no escritório regional do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável) localizado na Eslováquia, focado na área de desenvolvimento sustentável do Leste Europeu e Ásia Central. Esta experiência de quase dois anos me proporcionou um ambiente de trabalho com pessoas de diferentes nacionalidades e culturas, além de aprimorar meus conhecimentos em mudanças climáticas e energia renovável através de projetos aplicados em países da região.

Durante todo o período trabalhado no PNUD, atuei na área de energia e meio ambiente, focado na iniciativa global “Sustainable Energy for All – SE4ALL” (Energia Sustentável para Todos), inciativa lançada pela Secretaria Geral da ONU em 2011, que tem por objetivo mobilizar todos os setores da sociedade, incluindo empresas, governos, investidores, grupos da comunidade e academia para trabalhar em soluções para uma energia mais sustentável. O objetivo da iniciativa é consolidar uma causa comum de apoio a três objetivos interligados: 1: Assegurar o acesso universal aos modernos serviços de energia; 2: Dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética; 3: Duplicar a quota das energias renováveis na matriz energética global.

Assim, com o foco nestes três objetivos, trabalhei na coordenação do desenvolvimento do relatório sobre “Energia Sustentável e Desenvolvimento Humano na Europa e Comunidade de Estados Independentes” (Sustainable Energy and Human Development in the ECIS), além de ser uma das autoras de um dos capítulos sobre energia renovável. Esta experiência foi muito desafiadora, considerando todas as barreiras e obstáculos durante o desenvolvimento do relatório, porém muito gratificante com todos os resultados obtidos.

Com o desenvolvimento do relatório, me deparei com informações de fundamental importância para o amadurecimento de meu conhecimento na área de energias renováveis. Os benefícios de se utilizar fontes renováveis incluem o aumento da segurança energética, redução da dependência de combustíveis fósseis e das importações de energia, melhoria do ambiente e saúde local, redução dos níveis de emissões de gases de efeito estufa e melhoraria ao acesso à energia. Enquanto os países não membros da OCDE (The Organisation for Economic Co-operation and Development – com 14 países membros da organização) estão em busca cada vez maior de um crescimento em energia renovável, os países da OCDE continuam a serem os líderes, contribuindo com 53% do investimento global em fontes de energia renováveis ​, em 2012 (IEA, 2013).

Em uma escala global, apesar de um crescimento expressivo em energia renovável em alguns países, os combustíveis fósseis (carvão, gás natural e petróleo) continuam a predominar e tiveram uma contribuição de 80% na demanda global de energia em 2013 (IEA, 2012). Em 2011, os combustíveis fósseis foram apoiados por cerca de $523.000 milhões em subsídios, um aumento de quase 30% em relação a 2010 e seis vezes mais do que os subsídios atribuídos às energias renováveis ​​(IEA, 2013). A energia renovável oferece benefícios em muitos países, entretanto, há ainda um longo caminho a percorrer com sucesso, expandir o seu desenvolvimento e atingir as metas da iniciativa SE4ALL.

Fazendo uma comparação com o Brasil, apesar de nosso país apresentar uma matriz energética considerada limpa, o consumo de energia esta previsto para crescer até 2030, devido à rápida expansão da população brasileira e o crescimento no consumo de bens. Segundo o relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a projeção é que, entre 2010 e 2020, a população brasileira passe de 195 milhões para 205 milhões e o número de residências suba em 15 milhões, chegando a 75 milhões. Desta maneira, o Governo Brasileiro apoia a iniciativa “Energia Sustentável para Todos” e se comprometeu com algumas metas para contribuir com os objetivos da iniciativa, onde entre elas se encontram:

a) Uso de fonte renovável e limpa na produção de energia no Brasil: manter a política de participação elevada de fontes renováveis e limpa na produção de energia, a partir de biocombustíveis, hidroeletricidade, biomassa e fontes eólica e solar, para promover o desenvolvimento econômico do país visando a proteção ao meio ambiente e inclusão social. Segundo o governo federal, nos próximos 10 anos serão instalados 59.000 MW de capacidade de geração renovável, sendo 36.000 MW em hidroeletricidade, 12.000 MW em biomassa e 11.000 MW em eólica, com investimentos de 133 bilhões de dólares, incluindo a rede de transmissão associada. Com relação aos biocombustíveis os investimentos serão de 102 bilhões. Portanto, o total de investimentos em energias renováveis nos próximos 10 anos alcançará o valor de 235 bilhões de dólares.

b) Universalização do acesso à energia: concluir a universalização do acesso à energia no Brasil até 2014, avançando além da extensão das redes elétricas convencionais, utilizando sistemas híbridos, para assegurar o atendimento a 1,7 milhão de pessoas com investimentos de 4,3 bilhões de dólares.

c) Eficiência Energética: implementação de eficiência energética visando alcançar, até 2030, a meta de economia de energia total de 9%, sendo 10% no setor de energia elétrica e 12% no setor de transporte.

Neste sentido para o Brasil, a crescente demanda por energia e as metas de compromisso com a iniciativa poderia também ser interpretada como uma oportunidade. A matriz energética limpa pode representar diferencial competitivo, atribuindo inclusive valor sustentável à produtos industrializados com menor impacto em emissões. Entre as barreiras para que a energia renovável possa se desenvolver mais no Brasil estão: a falta de planejamento de longo prazo em âmbito nacional, regional e local; a falta de estabilidade de mercados; o financiamento curto à área de pesquisa e desenvolvimento de fontes energéticas e tecnologias; e a falta de uma rede elétrica integrada. Para que isso possa ser solucionado, o quadro político e regulatório no Brasil ainda precisa ser aprimorado para conseguir expandir ainda mais no desenvolvimento de fontes renováveis no país. Além disso, o intercambio de profissionais entre países é fundamental para que se traga um novo olhar, com soluções simples e inovadoras e que possam agregar valor para o mercado de energia renovável no Brasil e no mundo.

Referências:

Link para o relatório produzido pela Giovanna Christo “Sustainable Energy and Human Development in the ECIS”:http://www.tr.undp.org/content/dam/turkey/docs/Publications/EnvSust/UNDP,2014-Sustainable%20Energy%20and%20Human%20Development%20in%20Europe%20and%20the%20CIS.pdf

Empresa de Pesquisa Energética (EPE). 2014. Balanço Energético Nacional – ano base 2013. Rio de Janeiro, Brasil.

International Energy Agency (IEA). 2013. “Medium-Term Renewable Energy Market Report 2012”. OECD/IEA, Paris.

International Energy Agency (IEA). 2013. “Resources to Reserves – Oil, Gas and Coal Technologies for the Energy Markets of the Future”.

International Energy Agency (IEA). 2012. “World Energy Outlook (2012)”. Paris: IEA.

Organização das Nações Unidas (ONU). 2012. “Energia Sustentável para Todos” Departamento de Informação Pública das Nações Unidas,  junho de 2012.

United Nations Development Programme (2014), Sustainable Energy and Human Development in ECIS. Bratislava: UNDP BRC

Giovanna Christo é Engenheira Ambiental e especialista em energia sustentável. Retornou recentemente ao Brasil e atualmente esta finalizando seu mestrado em Bioenergia pela Universidade Federal do Paraná.

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