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Sistemas de Gestão Ambiental e o Mercado Econômico

Frequentemente lemos, assistimos e ouvimos notícias sobre instabilidade econômica, inflação, alta do dólar, demissão nas empresas e redução nos índices de investimentos, entre outros temas, tanto no cenário global, quanto nacional. Vivenciamos essa crise, com início nos EUA que teve seu auge em 2008 e no Brasil, de uma maneira mais intensa no período pós Copa e desta forma, ficamos todos inseguros com o mercado econômico que não vai bem.

Mas qual é a ligação entre isso e o meio ambiente? Qual o papel de um Sistema de Gestão Ambiental no momento econômico que vivemos? Para encontrar a resposta, precisamos retornar a 1972, ano de publicação do relatório “ Limites do Crescimento”, elaborado pelo Clube de Roma. A criação do Clube de Roma representou um marco para as questões ambientais em todo o mundo, pois nesse relatório apontavam-se projeções sobre o crescimento exponencial da população e seus possíveis impactos no setor industrial e principalmente ambiental, relacionando esse crescimento com a disponibilidade de recursos.

A meu ver, a principal relação entre meio ambiente e economia é a “lei de oferta e procura”, que teoricamente e simplificadamente signfica que, quanto maior for a procura por um determinado bem ou serviço, maior será o seu “preço”. Ou, ao contrário, algo com pouca procura terá menor preço. Exemplo disso é o petróleo, um commoditie que necessita de investimento e tecnologia para sua extração, além de estar se tornando mais raro, o que repercute no seu preço, cada vez mais elevado. Outro exemplo que pode ser usado é o milho: digamos que a falta de chuva (nesse caso em decorrência de desmatamento e impactos antrópicos no clima) prejudica uma safra de milho, com o que teremos menos oferta e mais demanda, ocasionando, por consequência, uma inflação no preço de bens que possuem o milho como matéria prima.

Apesar das questões ambientais serem um assunto de extrema importância, elas comumente estiveram em segundo plano na maioria das empresas, sejam elas de pequeno ou grande porte. Isso se deve ao fato de que para se implantar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental em uma indústria ou empresa exige-se custo, investimento sem retorno. Mas até que ponto essa afirmação está correta? Um dos fatores que auxiliou a mudar esse cenário foi quando os investidores e diretores de empresas começaram a perceber que se suas companhias fossem envolvidas em acidentes ou autuações e infrações ambientais eles teriam, além do impacto negativo da imagem da empresa perante a mídia e a sociedade, um alto custo para mitigar as consequências ambientais, que ocasionaria um menor retorno de investimentos, podendo prejudicar significativamente seus negócios.

Com o aumento da pressão das partes interessadas (governo, sociedade, mercado) as empresas tiveram como resposta a implantação da Norma ISO 14001, que avalia e certifica um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), auxiliando positivamente as empresas a manter uma imagem de comprometimento e responsabilidade ambiental, além da confiabilidade do sistema de gestão. Mesmo sendo um avanço significativo para a relação meio ambiente e empresas, ainda há oportunidades, tanto para empresários, quanto para profissionais ambientais.

Um SGA eficientemente implementado, além de contribuir para o gerenciamento de impactos ambientais de uma empresa, bem para o atendimento de requisitos legais aplicáveis, também pode se tornar uma importante ferramenta na redução de custos, ou até mesmo na lucratividade de uma empresa.

As empresas que possuem a gestão ambiental como um dos seus valores e parte do seu planejamento estratégico, têm grande potencial de ser cada vez mais competitivas e diferenciadas no mercado. Isso porque, com a tendência de diminuição de recursos e automaticamente de aumento do custo de commodities e bens de forma geral, sairão na frente aquelas que tiverem a maior sustentabilidade em seus processos. Alguns modelos que podem ser adotados como exemplo:

  • Uma empresa que consegue desenvolver fornecedores locais promove sustentabilidade em seu processo diminuindo o custo com transporte e, por consequência, reduzindo as emissões atmosféricas de sua frota, além de ter o ganho de um processo mais lean, pois a entrega de materiais desse fornecedor será mais rápida, podendo, com isso, implementar projetos just in time, o que pode ser muito vantajoso;
  • Uma empresa que mensura seu consumo com energia elétrica pode mapear oportunidades em sua unidade e elaborar plano de ação para mitigar estas perdas, reduzindo o impacto ambiental e o custo com energia elétrica, seja um projeto voltado para geradores, linhas de ar comprimido, ar condicionado ou iluminação, entre outros;
  • Uma empresa que aplica um projeto de higienização de equipamentos de proteção individual, reaproveitando-os, reduz o custo de compra de novos EPI’s, reduz o custo com destinação de resíduos contaminados e ainda mantém a segurança de seu funcionário;
  • Uma empresa que conta com um processo de segregação de resíduos estruturado pode potencializar e agregar uma receita significativa com a venda de resíduos (resíduos misturados => aterro => custo; resíduos segregados => reciclagem => receita);
  • Uma empresa que reestrutura seu layout, evitando “toques” desnecessários em seu processo, além de reduzir seu tempo de processo e otimização de seus recursos humanos e financeiros, reduz também o consumo de energia elétrica, o consumo de GLP (gás para empilhadeiras), e o consumo de combustíveis, entre outros;
  • Uma empresa que desenvolve o comprometimento da liderança com o SGA consegue ter benefícios extremos para o investimento e atendimento a requisitos legais, que, caso não observados, podem resultar em fiscalizações, multas e até em paralização de processos.

Portanto, podemos observar que a identificação, a tratativa de oportunidades e os ganhos sempre vão existir, contanto que o SGA esteja estruturado e alinhado com o planejamento estratégico da empresa. Para isto, dois fatores são fundamentais: profissionais ambientais com visão sistêmica e, principalmente, liderança comprometida com o sistema de gestão ambiental, fazendo-o “conversar” com o restante de seus processos.

Nesse momento, serve-nos muito bem o sábio conselho de Ricardo Amorim, renomado economista brasileiro: “nunca desperdice uma crise”. As indústrias e empresas de maneira geral estão buscando várias formas de baixar o custo de seus processos e mantê-los enxutos, e essa é a hora perfeita para o SGA ganhar força dentro de uma companhia, se destacando como uma ferramenta inesperada para reduzir os custos e trazer sustentabilidade e competitividade para as unidades de negócios.

Raphael Palhares Côrtes é graduado em Engenharia Ambiental pela Universidade PUC PR, cursa pós-graduação em Segurança do Trabalho na UTFPR de Curitiba e atua com Sistemas de Gestão Ambiental desde 2010. Atualmente é responsável pela gestão ambiental de uma indústria montadora de grande porte.

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Marília Tissot
Marília Tissot

Excelente abordagem. Destaca a importância do SGA no Planejamento Estratégico da Empresa, sua interface com os conceitos de sustentabilidade e competitividade.

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