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Reciclagem dos resíduos de gesso da construção civil. Novos tempos, nova tecnologia…..antiga necessidade.

Cerca de 93% das reservas brasileiras (aprox. 1.271 milhões de toneladas) de gipsita estão concentradas na Bahia (44%), Pará (31%) e Pernambuco (18%), ficando o restante distribuído, em ordem decrescente, entre o Maranhão, Ceará, Piauí, Tocantins e Amazonas. As reservas que apresentam melhores condições de aproveitamento econômico estão situadas na Bacia do Araripe, região de fronteira dos Estados do Piauí, Ceará e principalmente em Pernambuco. O aproveitamento das reservas do Pará tem como fatores impeditivos a grande distância dos centros consumidores e deficiência de infra- estrutura. O minério sai do nordeste em  forma de pó indo para os grandes centros consumidores onde é transformado em placas, sancas e drywall. O Drywall em especial, tem crescido o  seu consumo ano a ano, pela praticidade, rapidez e economia. Características procuradas mais e mais nas construções modernas.  O sul  e o sudeste do país são os maiores centros consumidores. A Política Nacional de Resíduos Sólidos tem na logistica reversa um dos seuas principais pilares, temos ai um sério problema, pois como fazer então para que a lei seja cumprida? já que estes centros consumidores distam cerca de 3.000 km de onde o minério é extraído.  Diante dos valores de frete e dificuldade logística, isso não ocorre, é impossível que o resíduo de gesso volte para o nordeste. Então, reciclar é a alternativa ambiental mais racional. Em complemento, e tendo em foco a efetiva tutela do meio ambiente, houve alteração na resolução 307 do CONAMA, esta foi modificada pela resolução 431  de 2011. Com isso a classe do gesso foi alterada de classe C (resíduos sem tecnologia conhecida de reciclagem) para classe B (reciclável).   Entretanto é preciso ponderar que nenhuma lei, ou leis, modificam  uma sociedade se a mudança não ocorrer principalmente na mentalidade do cidadão. No caso em questão é preciso que o empreendedor queira reciclar. Situação que é muito comum para os outros materiais, como: papel, madeira, vidro, metal etc…para o resíduo de gesso ainda é um desafio. No caso da gipsita o processo de reciclagem viabiliza o aproveitamento deste mineral na agricultura, como corretor de fertilidade do solo ou ainda na industria cimenteira. O antigo hábito de destinar o gesso para aterros industriais não tem qualquer sentido e não deve ser tolerado. Porque enterrar algo que pode (e deve) ser aproveitado? Alem deste importante fator, gesso em aterros causam desestabilização do terreno. Por ser altamente higroscópico apresenta grande capacidade de diluição o que faz com que se criem bolsões de ar no aterro, o que pode provoca desmoronamentos. Em aterros mal construídos pode atingir o lençol freático, contaminando-o. Com a tecnologia de reciclagem do gesso, sendo uma realidade, faz se imperativol que a conscientização do gerador acompanhe esta evolução. Todos ganharão com isso.

(16/10/2015)

Odair Sanches é Advogado e Eng. Agrônomo

direitoambiental@uol.com.br

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